Monday, September 9, 2019

PT -- VLADIMIR PUTIN na Sessão plenária do Fórum Económico Oriental






5 de Setembro de 2019
13:20
Speech at the plenary session of the Eastern Economic Forum.
Ilha Russky, Território do Primorye
Vladimir Putin participou na sessão plenária do Fórum Económico Oriental.
Foram enviados convites para o fórum a Chefes de Estado e de Governo estrangeiros, chefes de grandes empresas russas e estrangeiras, além de políticos e especialistas.
O tema do fórum é O Extremo Oriente - Horizontes de Desenvolvimento.

* * *
Excertos da transcrição da sessão plenária do Fórum Económico Oriental
Presidente da Rússia, Vladimir Putin: Presidente Battulga, Primeiro Ministro Narendra Modi, Primeiro Ministro Mahathir Bin Mohamad, Primeiro Ministro Shinzo Abe,
Senhoras e Senhores, Amigos,
Antes de mais, gostaria de me dirigir aos nossos convidados estrangeiros, dirigentes dos países representados neste Fórum e aos nossos parceiros estrangeiros na plateia. Obrigado por mostrarem tanto respeito pela Rússia e pelo vosso interesse em desenvolver relações entre os nossos países.
Espero e tenho a certeza de que o nosso trabalho durante este fórum, será muito produtivo e gratificante para todos. Sinto-me feliz por receber todos vós, no Fórum Económico do Leste.
É a quinta vez que Vladivostok, capital do Território Primorye e agora, de todo o Distrito Federal do Extremo Oriente da Rússia, reúne os Chefes dos principais Estados da Região da Ásia-Pacífico, os maiores investidores, os empresários, os representantes do público e comunidades especializadas .
Este ano, estamos a receber mais de 8.500 participantes de 65 países. Desde o primeiro fórum, a representação aumentou mais do dobro. Acreditamos que  é uma indicação convincente do  interesse crescente  pelo Extremo Oriente da Rússia e pelas oportunidades de cooperação oferecidas por esta região verdadeiramente colossal.
O poder e as vantagens competitivas do Extremo Oriente estão patenteadas nas pessoas talentosas, trabalhadoras e enérgicas, na juventude educada e ambiciosa, nos novos centros de pesquisa, no crescimento industrial e nas indústrias do futuro.
O seu poder reside nos numerosos recursos naturais, no enorme potencial logístico, como a Rota do Mar do Norte e noutras rotas  da trans-Eurásia. Por último, mas não menos importante, o seu poder traduz-se na proximidade das economias em rápido desenvolvimento e da região mais dinâmica do mundo, a Região da Ásia-Pacífico.
Não surpreende que, ao esquematizarmos uma estratégia a longo prazo, para o desenvolvimento do Extremo Oriente russo, em meados dos anos 2000, há 15 anos, optámos pela abertura máxima da região e pela sua integração inerente nos sectores económico, de transporte, espaço educacional e humanitário da APR (Asia-Pacific Region) e, num esquema mais alargado, no mundo em geral. Demos prioridade à promoção da cooperação internacional e transfronteiriça, bem como de parcerias tecnológicas e de investimento, o que implica criar novas oportunidades, principalmente para os cidadãos russos, para a sua vida e para o seu trabalho.
De facto, foi um ponto de viragem histórico e radical. Gostaria de recordar-vos que, muitos territórios do Extremo Oriente, incluindo a cidade de Vladivostok, onde estamos agora, eram usados principalmente para fins militares e tinham um estatuto de acesso restrito, no início e em meados do século XX e, mais tarde, durante a Guerra Fria.

Saturday, September 7, 2019

Plenary session of the Eastern Economic Forum September 5, 2019




September 5, 2019
13:20

Russky Island, Primorye Territory
Vladimir Putin attended the plenary session of the Eastern Economic Forum.
Invitations to the forum have been sent to foreign heads of state and government, the heads of major Russian and foreign companies, as well as leading politicians and experts.
The theme of the forum is The Far East – Development Horizons.
* * *
Excerpts from transcript of plenary session of the Eastern Economic Forum
President of Russia Vladimir Putin: President Battulga, Prime Minister Narendra Modi, Prime Minister Mahathir Bin Mohamad, Prime Minister Shinzo Abe,
Ladies and gentlemen, friends,
First of all, I would like to address our foreign guests, both leaders of the countries represented here and our foreign partners in the audience. Thank you for showing so much respect for Russia, and for your interest in developing relations between our countries.
I hope, I am certain that our work during this forum will be most productive and rewarding for everybody here. I am happy to welcome you all to the Eastern Economic Forum.
It is the fifth time that Vladivostok, the capital of Primorye Territory and now of the entire Far Eastern Federal District of Russia, has brought together heads of major Asia-Pacific states, the largest investors, business people, representatives of the public and expert communities.
This year we are hosting over 8,500 participants from 65 countries. Since the first forum, representation has increased more than twofold. We believe this is a convincing indication of the growing interest in the Russian Far East and the cooperation opportunities offered by this truly colossal region.
The power and competitive advantages of the Far East lie in its talented, hard-working and energetic people, educated and ambitious youth, in new centres of research, industrial growth, and industries of the future.
Its power is in rich natural resources, enormous logistics potential such as the Northern Sea Route and other trans-Eurasian routes. Last but not least, its power is in its proximity to rapidly-developing economies and the world’s most dynamic region, the Asia-Pacific.
It is hardly surprising that, while mapping out a long-term strategy for the development of the Russian Far East in the mid-2000s, some 15 years ago, we opted for the region’s maximal openness and its close integration in the economic, transport, educational and humanitarian space of the APR and, in a greater scheme of things, the world at large. We made it our priority to promote international and cross-border cooperation as well as investment and technological partnerships, which implies creating new opportunities, primarily for Russian citizens, their life and work.
In fact, this was a radical, historic turning point. Let me remind you that many Far Eastern territories, including the city of Vladivostok, where we are now, were mostly used for military purposes and had an off-limits status in the early 20th century, in the middle of the 20th century, and later during the Cold War.
This certainly had an impact on the development of these regions. Properly speaking, there was practically no development in the social and economic sense of the word.
To reiterate, the situation has changed radically over the past years and we are proud that the Russian Far East has become a symbol of openness for the whole country, a symbol of innovation and resolve in lifting all sorts of barriers to business and human contacts.
Of course, we are aware that this result would have hardly been possible were it not for the effort to enhance an atmosphere of trust and constructive cooperation in the APR as a whole. We are interested in promoting these positive trends to make the region we share safe and stable.
Our relations with India, China, the Republic of Korea, Malaysia, Mongolia, Japan and other APR countries are based on the principles of respect and honest dialogue. I am confident that these relations are showing great promise concordant with the growing role that the Asia Pacific Region is due to play in the coming decades. I think that our esteemed foreign guests present here, our friends, agree with this.

Saturday, July 20, 2019

VLADIMIR PUTIN -- Interview with Oliver Stone -- July 19, 2019

 




Vladimir Putin answered questions from American film director, screenwriter and producer Oliver Stone. The interview was recorded on June 19, 2019 in the Kremlin.
July 19, 2019
22:00
The Kremlin, Moscow
Interview with film director Oliver Stone.

Interview with film director Oliver Stone.
Oliver Stone: So, I interviewed Mr Medvedchuk. It was in Monte Carlo. He gave us a very interesting interview. He gave us his view of the Ukraine. I gather that you’re close with him.
President of Russia Vladimir Putin: I would not say that we are very close but we know each other well. He was President Kuchma’s Chief of Staff, and it was in this capacity at the time that he asked me to take part in the christening of his daughter. According to Russian Orthodox tradition, you can't refuse such a request.
Oliver Stone: Oh, you cannot refuse it?
I thought it was a big honour for you to be the godfather of his daughter.
Vladimir Putin: It is always a great honour to be a godfather.
Oliver Stone: Well, how many children are you godfather to?

Thursday, July 18, 2019

PT -- VLADIMIR PUTIN -- Entrevista ao jornal italiano ‘Corriere della Sera’



 Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»

Antes da visita oficial à Itália, Vladimir Putin concedeu uma entrevista ao principal jornal italiano ‘Corriere della Sera’.

4 de Julho de 2019
06:00
Pergunta: As relações entre a Rússia e a Itália parecem ser positivas. O nosso governo está entre os poucos da Europa, que estão a pressionar para que seja efectuada a revisão das sanções. No entanto, é a Itália que sofre as maiores perdas devido à proibição do fornecimento de vários bens de consumo, introduzida pelo governo russo como contramedida. Não seria um gesto amistoso da parte da Rússia, dar o primeiro passo e começar a levantar, unilateralmente, as sanções retaliatórias?
Presidente da Rússia, Vladimir Putin: De facto, desfrutamos de relações especiais com a Itália. Existe um diálogo de confiança com os dirigentes italianos. Está em andamento um trabalho conjunto contínuo nos campos político, económico, científico e humanitário. Apreciamos muito esse activo de parceria e confiança mútua.
Claro, mantivemos essa circunstância em mente. E não tínhamos o desejo de prolongar as restrições às relações económicas com a Itália. Mas o problema é que as nossas medidas de resposta - em retaliação às sanções ilegítimas que nos foram impostas - deveriam ser não-discriminatórias, porque senão enfrentaríamos problemas na Organização Mundial do Comércio. Gostaria de salientar que as decisões de impor sanções contra a Rússia foram tomadas pela Comissão Europeia e apoiadas por todos os países da UE.
Ao mesmo tempo, gostaria de sublinhar que as medidas de resposta mencionadas são de natureza local e não impedem, de um modo geral, o desenvolvimento eficaz do nosso investimento e cooperação industrial. Assim sendo, nenhuma das empresas italianas se retirou do mercado russo. No recente Fórum Económico, em São Petersburgo, foram assinados vários contratos bilaterais promissores nos sectores industrial, do petróleo e gás e da petroquímica.
Quanto à remoção das sanções, tenho falado sobre este assunto repetidas vezes. Aquele que está por trás das sanções é o que deve dar o primeiro passo; estou a falar da União Europeia. Depois do mais, a Rússia poderá abolir as contramedidas. Esperamos que o bom senso acabe por prevalecer e a Europa dê prioridade aos seus próprios interesses em vez de seguir as instruções dadas por outrem. Então, poderemos desenvolver uma cooperação mutuamente benéfica, multifacetada e voltada para o futuro.
Pergunta: No mundo de hoje, que parece em certos aspectos, ainda mais instável do que o da era da Guerra Fria, os acordos de desarmamento Rússia-EUA estão em crise. Estamos à beira de uma nova corrida armamentista com consequências imprevisíveis, apesar do que pareceu ser um bom começo nas suas relações com o Sr. Trump. De que maneira é que o Snr. pensa que o seu país é responsável por tal desenvolvimento?
Vladimir Putin: De maneira nenhuma! O colapso do sistema de segurança internacional começou com a retirada unilateral dos EUA do Tratado de Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM). Este instrumento foi a pedra angular de toda a arquitectura do controlo de armas.
Basta comparar a quantia que a Rússia gasta na defesa - cerca de 48 biliões de dólares - e o orçamento militar dos EUA, que é de mais de 700 biliões de dólares. Existe nestes números algum sinal de uma verdadeira corrida armamentista? Não estamos dispostos a ser arrastados para ela. Mas, ao mesmo tempo, devemos garantir a nossa segurança. Por esta razão, é que tivemos de desenvolver armas e equipamentos avançados - em resposta ao aumento das despesas militares e às acções claramente destrutivas dos Estados Unidos.
A situação com o Tratado INF é um exemplo flagrante. Aproximámo-nos dos EUA mais de uma vez, sugerindo que resolvêssemos as questões relativas a este documento, mas enfrentamos uma recusa. Como resultado, os americanos estão a destruir outro Tratado importante.
As perspectivas da nossa cooperação no campo da redução estratégica de armas ainda permanecem pouco claras. O Tratado START expirará no início de 2021. Neste momento, os EUA não parecem dispostos a discutir o seu prolongamento ou a possibilidade de elaborar um novo acordo em grande escala.
Deve ser mencionado aqui, mais um facto. Em Outubro passado, oferecemos aos EUA legitimar uma declaração conjunta sobre a inadmissibilidade de uma guerra nuclear e o reconhecimento das suas consequências devastadoras. Não houve resposta dos EUA. (***Ver Nota da Tradutora, no final.)
Recentemente, a Administração em Washington começou a reflectir sobre a possibilidade de reiniciar o nosso diálogo bilateral, baseado numa agenda estratégica alargada. Acredito que alcançar acordos concretos na esfera de acção de assegurar o controlo de armas, ajudaria a melhorar a estabilidade internacional. A Rússia tem vontade política de fazê-lo; agora compete aos EUA tomarem uma decisão. Reiterei essa posição na nossa reunião com o Presidente Trump, à margem da Cimeira do G20, no Japão, não há muito tempo. (N.d T: 28 e 29 de Junho de 2019)
Pergunta: Fala-se muito na Rússia sobre a expansão da NATO. Muitos países europeus, particularmente os da Europa Oriental, afirmam temer possíveis actos de agressão de Moscovo. Como é que esses medos mútuos podem ser superados? Podemos esperar por novos acordos de Helsínquia? Considera possível que a Rússia e a Itália proponham, em conjunto, uma nova iniciativa de diálogo, como a criação do Conselho NATO-Rússia, lançado em Pratica di Mare, em 2002?
Vladimir Putin: Para superar a situação nociva actual, temos de abandonar os conceitos arcaicos de “dissuasão” e “filosofia do bloco” da era da Guerra Fria.
O sistema de segurança deve ser comum e indivisível. Essa arquitectura deve basear-se nos princípios fundamentais das relações entre os Estados, consagradas na Carta da ONU e na Acta Final de Helsínquia, incluindo o não-uso da força ou a ameaça de força, a não ingerência nos assuntos internos dos Estados soberanos e resolução política pacífica de disputas.
Agradecemos os esforços feitos pela Itália para melhorar a compreensão mútua na região euro-atlântica. Estamos sempre abertos ao trabalho conjunto com os nossos parceiros italianos e ocidentais no combate a desafios e ameaças reais de segurança, incluindo o terrorismo internacional, tráfico de drogas e cibercrime.
Pergunta: Muito já foi dito sobre incidentes de interferência de hackers/piratas cibernéticos sediados na Rússia, durante a campanha eleitoral do Parlamento Europeu. Alguns países fizeram acusações explícitas contra as autoridades russas. O que é que respondeu a este assunto? Não considera que a questão da interferência é um problema sério nas relações com a Europa?
Vladimir Putin: O absurdo atingiu o apogeu quando a Rússia foi acusada de interferir nas eleições americanas. Sabemos bem como esta história terminou – em nada. E as descobertas da comissão de Mueller de que não houve tal conluio não foram surpreendentes - a comissão não conseguiu extrair nenhuma evidência, pois que não poderia haver evidência, em princípio.
Mas, eis a parte interessante: as sanções impostas contra o nosso país sob o pretexto dessas acusações, ainda estão em vigor.
Todas as especulações sobre a interferência da Rússia nos processos eleitorais na União Europeia são do mesmo tipo. Foram espalhadas, persistentemente, na véspera das eleições europeias, como se quisessem dar aos europeus uma “insinuação” de que foi “a interferência maliciosa da Rússia”, que foi culpada pelos resultados tão baixos de certas forças políticas nas eleições. Além do mais, os autores de tais conjecturas continuaram o mesmo objectivo – insistir em “demonizar” a Rússia aos olhos dos europeus comuns.
Deixe-me salientar o seguinte: nunca interferimos nos assuntos internos dos Estados membros da União Europeia ou de quaisquer outros Estados e não vamos fazê-lo. É o que nos distingue nitidamente dos EUA e de alguns dos seus aliados que, por exemplo, apoiaram o golpe de Estado na Ucrânia, em Fevereiro de 2014.
Estamos interessados em restabelecer a plena interacção entre a Rússia e a União Europeia e manter a paz, a segurança e a estabilidade no continente que partilhamos. Estamos prontos para uma colaboração construtiva com todas as forças políticas que receberam mandato dos eleitores europeus.
Pergunta: Que tipo de relações a Rússia tem com o partido da Liga de Matteo Salvini? Considera que ele é o dirigente italiano em quem confiar? Como descreveria o seu relacionamento com Silvio Berlusconi?
Vladimir Putin: Os contactos com partidos políticos de Estados estrangeiros são geralmente mantidos a nível partidário. Assim, a Liga da Itália e a Rússia Unida interagem no âmbito de um acordo de cooperação. O partido da Liga e o seu líder, Matteo Salvini, apoiam activamente o restabelecimento da plena cooperação entre a Itália e a Rússia e defendem o levantamento antecipado das sanções anti-russas impostas pelos EUA e pela UE. É neste ponto, que concordamos.
Matteo Salvini nutre sentimentos amistosos pela Rússia e está bem familiarizado com as suas realidades. Encontrámo-nos em 2014, em Milão, onde debatemos as perspectivas de desenvolvimento dos laços russo-italianos, bem como as relações da Rússia com a União Europeia. Desde então, tanto quanto sei, o Snr. Salvini e os membros do seu partido, mantiveram contactos com os seus colegas russos, interessados em intensificar a cooperação com os seus parceiros italianos.
Já disse em muitas ocasiões e repetirei: nas nossas relações com Estados estrangeiros, temos consideração pelos dirigentes eleitos legitimamente, pelos dirigentes em conformidade com a lei e com a justiça. Estamos prontos para trabalhar e trabalharemos com os que foram eleitos pelo povo italiano, independentemente de sua afiliação política.
Quanto a Silvio Berlusconi, somos amigos há muitos anos. Silvio é um político de nível internacional, um verdadeiro líder que defendeu, persistentemente, os interesses do seu país no cenário internacional. A sua determinação sincera em manter e aumentar o potencial desenvolvido nas relações entre os nossos países inspira respeito. Encontramo-nos raramente, mas quando temos essa oportunidade, ele nunca aborda assuntos da política interna do seu país. Nem eu.
É importante que em Itália haja um consenso absoluto entre todas as forças políticas sobre a necessidade de desenvolver boas relações com a Rússia. E retribuímos totalmente.
Pergunta: A Comissão Europeia lançou um procedimento de défice excessivo contra a Itália pelo seu défice público excessivo. A respeito deste assunto, será que o Snr. debateu com o Primeiro Ministro Conte, durante a sua visita recente, a possível aquisição de títulos soberanos italianos, por parte da Rússia?
Vladimir Putin: Não mencionamos essa questão durante a visita do Snr. Conte a Moscovo. E, tanto quanto sei, também não recebemos nenhum pedido formal do lado italiano.
Pergunta: Muitos esperavam que a eleição de Vladimir Zelensky como Presidente da Ucrânia provocasse um descongelamento nas relações com Moscovo e, também, a resolução mais antiga do conflito em Donbass e o estabelecimento de um diálogo construtivo. Será que é possível?
Vladimir Putin: Sim, é possível se Zelensky começar a cumprir as suas promessas eleitorais, inclusive se ele entrar em contacto directo com os seus compatriotas, em Donbass, e deixar de rotulá-los como “separatistas”, se as autoridades ucranianas concretizarem os Acordos de Minsk, em vez de ignorá-los.
A ucranização forçada, a proibição de usar a língua russa, que é a língua nativa de milhões de cidadãos ucranianos, incluindo o ensino do russo nas universidades e nas escolas, a fúria de neonazismo, o conflito civil no sudeste do país, as tentativas do governo anterior para quebrar a frágil paz inter-religiosa - é apenas uma pequena parte da terrível “bagagem” que o novo Presidente terá de enfrentar. Portanto, vou repetir: os cidadãos ucranianos não querem declarações de V. Zelensky e da sua equipa - querem acção real e mudanças rápidas para melhor.
E, claro que as autoridades de Kiev devem compreender, finalmente, que o confronto entre a Rússia e a Ucrânia não é de interesse comum, mas sim, o desenvolvimento de uma cooperação pragmática baseada na confiança e no entendimento mútuo. E estamos preparados para isso.
Pergunta: O Snr. não tem adversários políticos verdadeiros; nas eleições do ano passado, recebeu quase 77% dos votos; praticamente não há oposição. Então, por que razão é que os seus planos de desenvolvimento arrancam com dificuldade ? Quais são os principais obstáculos?
Vladimir Putin: Não se trata do número de votos nas eleições, é sobre as realidades económicas que a Rússia tem de enfrentar, a saber: o declínio ou a flutuação de preços nos mercados globais dos nossos produtos tradicionais de exportação: petróleo, gás e metal. De facto, as restrições externas também produzem o seu efeito.
Mas seguimos uma política razoável e realista. Garantimos a estabilidade macroeconómica e evitamos o crescimento do desemprego. Além do mais, conseguimos concentrar recursos significativos em projectos nacionais de larga escala, que devem permitir um desenvolvimento inovador nos sectores fundamentais da economia e da esfera social e melhorar a vida das pessoas.
Quanto à concretização dos planos, na verdade, eles nem sempre são realizados tão rápido quanto queremos. Existem obstáculos imprevistos, dificuldades e falhas. Mas é um problema comum a todos os países. É compreensível - hoje todos nós, incluindo a Rússia, enfrentamos desafios demasiado ambiciosos. Eles dizem respeito não apenas à esfera económica, mas também a outras esferas. A ideia principal é que as próprias pessoas devem mudar em muitos aspectos, reconhecer a necessidade de mudança e do seu papel nesses processos e envolver-se no trabalho conjunto. Isso não acontece. Repito, todos devem perceber que o mundo está a mudar drasticamente. As tecnologias estão a desenvolver-se a um ritmo crescente. É, por esse motivo, que os nossos planos estão estabelecidos visando o futuro. Criamos condições para perceber os talentos e as capacidades de cada pessoa, particularmente, dos jovens. Ao observar os múltiplos programas que são procurados nesta área, vejo o projecto Rússia - Terra de Oportunidade como sendo muito importante; visa o crescimento profissional e pessoal da juventude e das pessoas de várias gerações. Destina-se a dar-lhes a oportunidade de provar as suas capacidades na administração pública, nos negócios e noutras áreas importantes. Resumindo, estou confiante de que, aproveitando a energia, a liberdade e a iniciativa dos nossos cidadãos, iremos certamente alcançar os objectivos que estabelecemos para nós próprios.
Pergunta: Pensa na Rússia depois de Putin, a partir de 2024? Pretende deixar a política ou, como muitos acreditam, vai ficar noutra esfera de acção?
Vladimir Putin: É cedo demais para dizer. Existem cinco anos de intenso trabalho pela frente. Dada a dinâmica rápida que observamos no mundo de hoje, é difícil fazer previsões. Acredite em mim, tenho muito que fazer agora, tal como me encontro, hoje.
Pergunta: Qual é a base das relações comerciais e económicas entre a Itália e a Rússia? Quais são os projectos que estão a ser estabelecidos ou discutidos agora?
Vladimir Putin: A Itália é um dos principais parceiros comerciais do nosso país no mundo (em 2018, foi o quinto depois da China, Alemanha, Holanda e Bielorrússia). Cerca de 500 entidades empresariais italianas estão presentes na Rússia. E apesar da participação da Itália nas sanções anti Rússia e as nossas medidas de retaliação, que discutimos anteriormente, as nossas relações comerciais e económicas bilaterais desenvolvem-se com bastante sucesso.
Em 2018, o nosso comércio mútuo aumentou 12,7%, chegando a 26,9 biliões de dólares. O investimento directo acumulado da Itália, alcançou 4,7 biliões de dólares até ao início deste ano, enquanto o investimento da Rússia em Itália, também é significativo - 2,7 biliões de dólares.
Vários projectos vultuosos de investimento já foram concretizados na Rússia e em Itália pelas empresas dos dois países. Os mais importantes incluem 4 centrais elétricas operadas pela Enel nas regiões de Tver e Sverdlovsk e no território de Stavropol; 2 ‘joint ventures' com o fabricante de pneus Pirelli em Voronezh e Kirov; uma usina em Chelyabinsk produzindo bombas para a indústria do petróleo com a participação de Termomeccanica S.p.A. A propósito, em Chelyabinsk existem mais 5 empresas russo-italianas, incluindo produção metalúrgica, fabricação de equipamentos de energia e engenharia criogénica. No ano passado, uma fábrica de motores elétricos de alta tensão, juntamente com a empresa italiana Nidec, iniciou o seu trabalho na região. Gigantes como a ENI, Maire TECNIMONT e IVECO investem activamente na economia russa.
Como exemplos de investimentos em larga escala da Rússia em Itália, mencionaria as instalações e postos de gasolina da refinaria de petróleo LUKOIL, e uma das maiores refinarias de óxido de alumínio da Europa, pertencentes à RUSAL e localizada na ilha da Sardenha.
Vários projectos importantes de investimento na Rússia com a participação italiana estão agora a ser desenvolvidos. Incluem os projectos de energia eólica da Enel, a construção de uma fábrica de produtos químicos na região de Samara e uma refinaria de gás na região de Amur, com a participação da Maire TECNIMONT bem como a nova fábrica de macarrão da Barilla. Também mencionarei um grande projecto italo-russo fora dos nossos países - no Egipto. Estou a referir o campo de gás de Zohr, desenvolvido pela ENI e pela Rosneft.
Gostaria de agradecer aos nossos parceiros de negócios italianos pela sua posição de princípio a favor do aperfeiçoamento dos nossos laços comerciais. Valorizamos muito e esperamos que a cooperação económica ítalo-russa sirva ainda mais para benefício dos nossos países e dos nossos povos.

Fim da entrevista
***Nota da Tradutora – Pesquisei intensamente a fim de encontrar documentos que atestassem a afirmação tão importante do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, passo a transcrever:

'Deve ser mencionado aqui, mais um facto. Em Outubro passado, oferecemos aos EUA legitimar uma declaração conjunta sobre a inadmissibilidade de uma guerra nuclear e o reconhecimento das suas consequências devastadoras. Não houve resposta dos EUA'

Não encontrei nenhum documento taxativo, mas penso que este facto ocorreu durante o encontro com John Bolton, em 23 de Outubro de 2018, que passo a traduzir, mas que obviamente, dada a natureza dessa reunião, não foi totalmente transcrito. 
Se algum leitor me puder elucidar melhor sobre este assunto que, para mim, é de grande importância, peço o favor de me contactar através do meu email luisavasconcellos2012@gmail.com. M.obrigada.


Vladimir Putin recebeu no Kremlin, John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
23 de Outubro de 2018
18:30
 Kremlin, Moscovo
Assistant to the US President for National Security Affairs John Bolton.
John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
Participaram na reunião, do lado russo, o Assessor Presidencial, Yury Ushakov, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o Secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev.
Hoje, um pouco mais cedo, o Ministro da Defesa, Sergei Shoigu, reuniu-se com John Bolton. Em 22 de Outubro, Nikolai Patrushev e Sergei Lavrov também mantiveram conversações com o Assistente do Presidente dos EUA.
* * *
Iniciando as conversações com John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
President of Russia Vladimir Putin: 
Snr. Bolton, Colegas,
Temos muito prazer em vê-lo em Moscovo.
No início de nossa conversa, gostaria de recordar o nosso encontro com o Presidente dos Estados Unidos, em Helsínquia. De acordo como o meu ponto de vista, foi uma reunião e uma conversa útil e, por vezes, bastante difícil, que acabou por ser frutuosa. Esta é a minha opinião.

Por este motivo é que, para ser sinceros, às vezes ficamos perplexos ao ver os Estados Unidos tomar medidas em relação à Rússia, que não podemos chamar de amigáveis e que nunca foram provocadas por nós. Na verdade, nem sequer respondemos a essas medidas, se bem que essa abordagem continua.
Apesar dos vossos esforços, o comércio entre os nossos países - por mais estranho que possa parecer - continua a crescer, 16% no ano passado; este ano já cresceu 8%. É pequeno em números absolutos, muito pequeno, é claro, no entanto, essa é a tendência. A propósito, com um saldo positivo para os Estados Unidos. Os investimentos mútuos também estão a crescer, sendo os investimentos russos na economia dos EUA, duas vezes maiores do que os investimentos americanos na economia russa.
Indubitavelmente, será muito útil trocar opiniões sobre as questões da estabilidade estratégica, do desarmamento e dos conflitos regionais.
Temos conhecimento - e falamos muito - sobre a saída unilateral dos EUA, do Tratado de Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM). Recentemente, ouvimos falar da intenção dos Estados Unidos em sair do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (Tratado INF). Sabemos sobre as dúvidas da Administração em relação ao prolongamento do Novo START e sobre a intenção de instalar alguns elementos do sistema de defesa antimísseis no Espaço.
Pelo que me lembro, há uma águia retratada no brasão dos EUA: ela segura 13 flechas numa garra e um ramo de oliveira na outra, como símbolo de política pacífica: um galho com 13 azeitonas. A minha pergunta é a seguinte: Será que a vossa águia já comeu todas as azeitonas e deixou apenas as flechas?
De um modo geral, gostaria muito de conversar consigo não apenas na qualidade Assistente do Presidente dos EUA, mas também como especialista em desarmamento e controlo de armas.
E, em primeiro lugar, claro que seria útil continuar um diálogo directo com o Presidente dos Estados Unidos, à margem dos acontecimentos internacionais que ocorrerão em breve, como o de Paris. Naturalmente, se os EUA estiverem interessados em tais contactos.
John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional: Muito obrigado, Senhor Presidente. É um prazer vê-lo novamente. Aprecio que tenha disponibilizado o seu tempo para estarmos juntos e para debatermos todos os assuntos agendados.
E para começar, como indicou, penso que o Presidente Trump espera vê-lo em Paris, à margem da celebração do 100º aniversário do Armistício. Porque, apesar das nossas diferenças, que existem por causa dos nossos interesses nacionais que são diferentes, ainda é importante trabalhar em áreas onde existe a possibilidade de cooperação mútua. 
E, nos últimos dois dias, mantive conversações com todos os seus Conselheiros seniores de segurança nacional e agradeço novamente a oportunidade de falar com o Snr. em nome do Presidente Trump. E, felizmente, terei algumas respostas para o Snr., mas não trouxe nenhuma azeitona.
Vladimir Putin: Concordo 100% consigo. 
(Risos.)
John Bolton: O ramo de oliveira é mantido na garra direita da águia, a demonstrar a sua prioridade.
Vladimir Putin: Se bem me lembro, há também uma inscrição: In Varietate Concordia, United in Diversity. (Lema da União Europeia) É por esse motivo que, apesar das diferentes abordagens, podemos e devemos procurar pontos de contacto.
John Bolton: Essa é a nossa intenção, embora o nosso lema seja “E pluribus unum”, “De muitos, um”, então talvez seja algo a esperar.

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Geography

EN -- Interview with Italian newspaper Corriere della Sera



 Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»
Ahead of the official visit to Italy, Vladimir Putin gave an interview to a leading Italian daily Corriere della Sera.
July 4, 2019
06:00

Question: Relations between Russia and Italy seem positive. Our government is among the few in Europe to be pushing for the revision of sanctions. Yet it is Italy that suffers the largest losses due to the ban on supplies of various consumer goods introduced by the Russian government as a countermeasure. Wouldn't it be a kind gesture on Russia's part to make the first step and start unilaterally lifting retaliatory sanctions?
President of Russia Vladimir Putin: Indeed, we enjoy special time-tested relations with Italy. There is a trusted dialogue with the Italian leadership. Continuous joint work is underway in the political, economic, scientific and humanitarian fields. We highly appreciate this asset of mutual trust and partnership.
Of course, we kept this in mind. And we had no desire to extend the restrictions to the economic relations with Italy. But the thing is, our response measures – in retaliation for the illegitimate sanctions imposed – were supposed to be non-discriminative, because otherwise we would face problems in the World Trade Organisation. I would like to note that the decisions to impose sanctions against Russia were taken by the European Commission and supported by all EU countries.
At the same time, I would like to stress that the mentioned response measures are of a local nature and do not hinder, by and large, the effective development of our investment and industrial cooperation. None of the Italian companies have thus withdrawn from the Russian market. At the recent Economic Forum in Saint-Petersburg, a number of promising bilateral contracts in the industrial, oil and gas and petrochemical sectors were signed.
As for the removal of sanctions, I have spoken on this subject time and time again. The one behind the sanctions is the one to make the first step; I am talking about the European Union. After that, Russia will be able to abolish its countermeasures. It is our hope that common sense will eventually prevail and Europe will prioritise its own interests rather than follow instructions given by somebody else. Then we will be able to develop mutually beneficial, multi-faceted and forward-looking cooperation.
Question: In today's world, which seems in certain aspects even more unstable than that of the Cold War era, Russia-US disarmament arrangements are in crisis. We are standing on the verge of a new arms race with its unforeseeable consequences, in spite of what looked like a good start in your relations with Mr Trump. To what extent do you think your country is responsible for such development?
Vladimir Putin: To no extent! The breakdown of the system of international security began with the US unilateral withdrawal from the Anti-Ballistic Missile Treaty. This instrument was the cornerstone of the entire arms control architecture.
Just compare the sum Russia spends on defence – about $48 billion – and the US military budget, which is more than $700 billion. Is there any sign of an actual arms race here? We are not willing to get dragged into it. But at the same time we must ensure our security. That is why, we had to develop advanced weapons and equipment – in response to the increasing military expenditure and the clearly destructive actions of the United States.
The situation with the INF Treaty is a glaring example here. We approached the US more than once, suggesting that we sort out issues pertaining to this document, yet we faced the refusal. As a result, the Americans are destroying yet another important treaty regime.
Prospects of our cooperation in the field of strategic arms reduction remain unclear. The START Treaty will expire in early 2021. At the moment, the US does not seem ready to discuss its extension or the possibility of elaborating a new full-scale agreement.
One more fact should be mentioned here. Last October, we offered the US to adopt a joint statement on the inadmissibility of a nuclear war and the recognition of its devastating consequences. There has been no response from the US.
Recently, the administration in Washington has begun to reflect on the possibility of restarting our bilateral dialogue on a broad strategic agenda. I believe that reaching concrete agreements in the field of ensuring arms control would help improve international stability. Russia has political will to do this; now it is for the US to make a decision. I reiterated this position at our meeting with President Trump on the sidelines of the G20 Summit in Japan not long ago.

FR -- Entretien de Vladimir Poutine au Corriere della Sera





par Vladimir Poutine
RÉSEAU VOLTAIRE | ROME (ITALIE) | 4 JUILLET 2019 
 Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»
Corriere della Sera : Les rapports entre Russie et Italie semblent positifs. Notre gouvernement est parmi les rares en Europe à pousser pour une révision des sanctions. Et pourtant nous sommes ceux qui souffrent le plus du blocus de divers biens de consommation que votre gouvernement a décidé comme contre-mesure. Ne serait-ce pas un geste vers une possible détente si la Russie, unilatéralement, commençait à abolir les contre-sanctions ?
Vladimir Poutine : Avec l’Italie nous avons vraiment des rapports particuliers, qui ont fait leurs preuves au fil du temps. Un dialogue fondé sur la confiance avec ses dirigeants a été mis au point. Constamment, un travail conjoint est conduit dans la sphère politique, économique, scientifique et humaniste. Nous apprécions beaucoup ce capital de confiance réciproque et partenariat. 

Nous avons sans aucun doute tenu compte de ce fait. Et nous n’avions pas le désir d’étendre les limitations aux liens économiques avec l’Italie. Mais le fait est qu’en prenant les mesures de riposte -contre les sanctions illégitimement introduites- nous ne pouvions pas agir de façon sélective parce que, sinon, nous nous serions heurtés à des problèmes dans le cadre de l’Organisation mondiale du commerce. J’ajoute que les décisions sur l’introduction des sanctions contre la Russie ont été adoptées par la Commission européenne et que tous les pays de l’UE ont voté pour celles-ci. 

Je souligne, cependant, que les mesures russes ont un caractère partiel et ne nous empêchent pas dans l’ensemble de développer avec succès l’échange d’investissements et une coopération productive. Ainsi aucune entreprise italienne n’a quitté le marché russe. Au récent Forum de Saint Petersbourg ont été conclus des contrats bilatéraux prometteurs dans les secteurs industriel, du pétrole, du gaz et dans la pétrochimie. 

Pour ce qui concerne, par contre, l’abolition des sanctions, le premier pas doit être fait par celui qui les a promues, c’est-à-dire l’Union européenne. Alors la Russie pourra effacer les me-sures de riposte adoptées. Nous comptons qu’à la fin le bon sens prévaudra, que l’Europe se laissera guider avant tout par ses propres intérêts et pas par les suggestions des autres. Et nous pourrons développer pour notre bénéfice réciproque une collaboration tous azimuts tournée vers l’avenir.
Corriere della Sera : Dans un monde qui, dans un certain sens, semble plus instable maintenant qu’à la période de la guerre froide, les accords sur le désarmement entre Russie et États-Unis sont en crise. Sommes-nous à la veille d’une nouvelle course aux armements, aux issues imprévisibles malgré ce qui paraissait un bon début entre vous et Donald Trump. Dans quelle mesure votre pays a-t-il la responsabilité d’un tel développement ?
Vladimir Poutine : En aucune mesure ! Le délitement du système de la sécurité internationale a commencé avec l’abandon unilatéral du Traité sur la défense antimissile (ABM) par les États-Unis. Et celle-ci était la pierre angulaire de tout le système de contrôle sur les armements. 

Comparez ce que dépense pour sa défense la Russie -environ 48 milliards de dollars- et ce qui est le budget militaire des USA, plus de 700 milliards de dollars. Où est alors en réalité la course aux armements ? Nous n’avons pas l’intention de nous laisser entraîner dans une telle course, mais nous sommes obligés de garantir aussi notre sécurité. C’est juste-ment pour cela que nous avons été obligés d’arriver à faire des projets de moyens et d’armements très modernes, en répondant à l’augmentation des dépenses militaires et aux actes manifestement délétères des USA. 

Un exemple éloquent en ce sens est la situation relative au traité FNI (missiles de portée intermédiaire, ndr). Nous avons plusieurs fois proposé aux États-Unis de clarifier de façon objective et concrète les questions qu’il y a dans ce document mais nous nous sommes trouvés face à un refus. En conséquence les USA sont de fait en train de démanteler encore un autre accord. 

Les perspectives de notre interaction dans la sphère de la réduction des armements stratégiques restent nébuleuses. Au début de 2021 viendra à échéance la durée du traité New Start (sur les missiles intercontinentaux, ndr). Mais aujourd’hui nous ne voyons pas de la part des USA de disponibilité pour parler de son prolongement ou de l’élaboration d’un nouvel accord complet. 

Il faut mentionner un autre fait encore. En octobre de l’an dernier nous avons proposé aux USA d’adopter une déclaration conjointe sur la “non-admissibilité” d’une guerre nucléaire et sur la reconnaissance de ses conséquences destructrices. Mais, aujourd’hui encore, de la part étasunienne il n’y a pas eu de réaction. 

Ces derniers temps à Washington il semble qu’on commence à réfléchir à une relance du dialogue bilatéral sur un vaste agenda stratégique. Je pense qu’arriver à des ententes concrètes dans le domaine du contrôle sur les armements contribuerait à un renforcement de la stabilité internationale. La Russie a la volonté politique de faire un tel travail. Maintenant, cela appartient aux USA. J’ai parlé de cela avec le président Trump au cours de la récente rencontre en marge du sommet du G20 au Japon.

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