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Thursday, July 18, 2019

PT -- VLADIMIR PUTIN -- Entrevista ao jornal italiano ‘Corriere della Sera’



 Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»

Antes da visita oficial à Itália, Vladimir Putin concedeu uma entrevista ao principal jornal italiano ‘Corriere della Sera’.

4 de Julho de 2019
06:00
Pergunta: As relações entre a Rússia e a Itália parecem ser positivas. O nosso governo está entre os poucos da Europa, que estão a pressionar para que seja efectuada a revisão das sanções. No entanto, é a Itália que sofre as maiores perdas devido à proibição do fornecimento de vários bens de consumo, introduzida pelo governo russo como contramedida. Não seria um gesto amistoso da parte da Rússia, dar o primeiro passo e começar a levantar, unilateralmente, as sanções retaliatórias?
Presidente da Rússia, Vladimir Putin: De facto, desfrutamos de relações especiais com a Itália. Existe um diálogo de confiança com os dirigentes italianos. Está em andamento um trabalho conjunto contínuo nos campos político, económico, científico e humanitário. Apreciamos muito esse activo de parceria e confiança mútua.
Claro, mantivemos essa circunstância em mente. E não tínhamos o desejo de prolongar as restrições às relações económicas com a Itália. Mas o problema é que as nossas medidas de resposta - em retaliação às sanções ilegítimas que nos foram impostas - deveriam ser não-discriminatórias, porque senão enfrentaríamos problemas na Organização Mundial do Comércio. Gostaria de salientar que as decisões de impor sanções contra a Rússia foram tomadas pela Comissão Europeia e apoiadas por todos os países da UE.
Ao mesmo tempo, gostaria de sublinhar que as medidas de resposta mencionadas são de natureza local e não impedem, de um modo geral, o desenvolvimento eficaz do nosso investimento e cooperação industrial. Assim sendo, nenhuma das empresas italianas se retirou do mercado russo. No recente Fórum Económico, em São Petersburgo, foram assinados vários contratos bilaterais promissores nos sectores industrial, do petróleo e gás e da petroquímica.
Quanto à remoção das sanções, tenho falado sobre este assunto repetidas vezes. Aquele que está por trás das sanções é o que deve dar o primeiro passo; estou a falar da União Europeia. Depois do mais, a Rússia poderá abolir as contramedidas. Esperamos que o bom senso acabe por prevalecer e a Europa dê prioridade aos seus próprios interesses em vez de seguir as instruções dadas por outrem. Então, poderemos desenvolver uma cooperação mutuamente benéfica, multifacetada e voltada para o futuro.
Pergunta: No mundo de hoje, que parece em certos aspectos, ainda mais instável do que o da era da Guerra Fria, os acordos de desarmamento Rússia-EUA estão em crise. Estamos à beira de uma nova corrida armamentista com consequências imprevisíveis, apesar do que pareceu ser um bom começo nas suas relações com o Sr. Trump. De que maneira é que o Snr. pensa que o seu país é responsável por tal desenvolvimento?
Vladimir Putin: De maneira nenhuma! O colapso do sistema de segurança internacional começou com a retirada unilateral dos EUA do Tratado de Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM). Este instrumento foi a pedra angular de toda a arquitectura do controlo de armas.
Basta comparar a quantia que a Rússia gasta na defesa - cerca de 48 biliões de dólares - e o orçamento militar dos EUA, que é de mais de 700 biliões de dólares. Existe nestes números algum sinal de uma verdadeira corrida armamentista? Não estamos dispostos a ser arrastados para ela. Mas, ao mesmo tempo, devemos garantir a nossa segurança. Por esta razão, é que tivemos de desenvolver armas e equipamentos avançados - em resposta ao aumento das despesas militares e às acções claramente destrutivas dos Estados Unidos.
A situação com o Tratado INF é um exemplo flagrante. Aproximámo-nos dos EUA mais de uma vez, sugerindo que resolvêssemos as questões relativas a este documento, mas enfrentamos uma recusa. Como resultado, os americanos estão a destruir outro Tratado importante.
As perspectivas da nossa cooperação no campo da redução estratégica de armas ainda permanecem pouco claras. O Tratado START expirará no início de 2021. Neste momento, os EUA não parecem dispostos a discutir o seu prolongamento ou a possibilidade de elaborar um novo acordo em grande escala.
Deve ser mencionado aqui, mais um facto. Em Outubro passado, oferecemos aos EUA legitimar uma declaração conjunta sobre a inadmissibilidade de uma guerra nuclear e o reconhecimento das suas consequências devastadoras. Não houve resposta dos EUA. (***Ver Nota da Tradutora, no final.)
Recentemente, a Administração em Washington começou a reflectir sobre a possibilidade de reiniciar o nosso diálogo bilateral, baseado numa agenda estratégica alargada. Acredito que alcançar acordos concretos na esfera de acção de assegurar o controlo de armas, ajudaria a melhorar a estabilidade internacional. A Rússia tem vontade política de fazê-lo; agora compete aos EUA tomarem uma decisão. Reiterei essa posição na nossa reunião com o Presidente Trump, à margem da Cimeira do G20, no Japão, não há muito tempo. (N.d T: 28 e 29 de Junho de 2019)
Pergunta: Fala-se muito na Rússia sobre a expansão da NATO. Muitos países europeus, particularmente os da Europa Oriental, afirmam temer possíveis actos de agressão de Moscovo. Como é que esses medos mútuos podem ser superados? Podemos esperar por novos acordos de Helsínquia? Considera possível que a Rússia e a Itália proponham, em conjunto, uma nova iniciativa de diálogo, como a criação do Conselho NATO-Rússia, lançado em Pratica di Mare, em 2002?
Vladimir Putin: Para superar a situação nociva actual, temos de abandonar os conceitos arcaicos de “dissuasão” e “filosofia do bloco” da era da Guerra Fria.
O sistema de segurança deve ser comum e indivisível. Essa arquitectura deve basear-se nos princípios fundamentais das relações entre os Estados, consagradas na Carta da ONU e na Acta Final de Helsínquia, incluindo o não-uso da força ou a ameaça de força, a não ingerência nos assuntos internos dos Estados soberanos e resolução política pacífica de disputas.
Agradecemos os esforços feitos pela Itália para melhorar a compreensão mútua na região euro-atlântica. Estamos sempre abertos ao trabalho conjunto com os nossos parceiros italianos e ocidentais no combate a desafios e ameaças reais de segurança, incluindo o terrorismo internacional, tráfico de drogas e cibercrime.
Pergunta: Muito já foi dito sobre incidentes de interferência de hackers/piratas cibernéticos sediados na Rússia, durante a campanha eleitoral do Parlamento Europeu. Alguns países fizeram acusações explícitas contra as autoridades russas. O que é que respondeu a este assunto? Não considera que a questão da interferência é um problema sério nas relações com a Europa?
Vladimir Putin: O absurdo atingiu o apogeu quando a Rússia foi acusada de interferir nas eleições americanas. Sabemos bem como esta história terminou – em nada. E as descobertas da comissão de Mueller de que não houve tal conluio não foram surpreendentes - a comissão não conseguiu extrair nenhuma evidência, pois que não poderia haver evidência, em princípio.
Mas, eis a parte interessante: as sanções impostas contra o nosso país sob o pretexto dessas acusações, ainda estão em vigor.
Todas as especulações sobre a interferência da Rússia nos processos eleitorais na União Europeia são do mesmo tipo. Foram espalhadas, persistentemente, na véspera das eleições europeias, como se quisessem dar aos europeus uma “insinuação” de que foi “a interferência maliciosa da Rússia”, que foi culpada pelos resultados tão baixos de certas forças políticas nas eleições. Além do mais, os autores de tais conjecturas continuaram o mesmo objectivo – insistir em “demonizar” a Rússia aos olhos dos europeus comuns.
Deixe-me salientar o seguinte: nunca interferimos nos assuntos internos dos Estados membros da União Europeia ou de quaisquer outros Estados e não vamos fazê-lo. É o que nos distingue nitidamente dos EUA e de alguns dos seus aliados que, por exemplo, apoiaram o golpe de Estado na Ucrânia, em Fevereiro de 2014.
Estamos interessados em restabelecer a plena interacção entre a Rússia e a União Europeia e manter a paz, a segurança e a estabilidade no continente que partilhamos. Estamos prontos para uma colaboração construtiva com todas as forças políticas que receberam mandato dos eleitores europeus.
Pergunta: Que tipo de relações a Rússia tem com o partido da Liga de Matteo Salvini? Considera que ele é o dirigente italiano em quem confiar? Como descreveria o seu relacionamento com Silvio Berlusconi?
Vladimir Putin: Os contactos com partidos políticos de Estados estrangeiros são geralmente mantidos a nível partidário. Assim, a Liga da Itália e a Rússia Unida interagem no âmbito de um acordo de cooperação. O partido da Liga e o seu líder, Matteo Salvini, apoiam activamente o restabelecimento da plena cooperação entre a Itália e a Rússia e defendem o levantamento antecipado das sanções anti-russas impostas pelos EUA e pela UE. É neste ponto, que concordamos.
Matteo Salvini nutre sentimentos amistosos pela Rússia e está bem familiarizado com as suas realidades. Encontrámo-nos em 2014, em Milão, onde debatemos as perspectivas de desenvolvimento dos laços russo-italianos, bem como as relações da Rússia com a União Europeia. Desde então, tanto quanto sei, o Snr. Salvini e os membros do seu partido, mantiveram contactos com os seus colegas russos, interessados em intensificar a cooperação com os seus parceiros italianos.
Já disse em muitas ocasiões e repetirei: nas nossas relações com Estados estrangeiros, temos consideração pelos dirigentes eleitos legitimamente, pelos dirigentes em conformidade com a lei e com a justiça. Estamos prontos para trabalhar e trabalharemos com os que foram eleitos pelo povo italiano, independentemente de sua afiliação política.
Quanto a Silvio Berlusconi, somos amigos há muitos anos. Silvio é um político de nível internacional, um verdadeiro líder que defendeu, persistentemente, os interesses do seu país no cenário internacional. A sua determinação sincera em manter e aumentar o potencial desenvolvido nas relações entre os nossos países inspira respeito. Encontramo-nos raramente, mas quando temos essa oportunidade, ele nunca aborda assuntos da política interna do seu país. Nem eu.
É importante que em Itália haja um consenso absoluto entre todas as forças políticas sobre a necessidade de desenvolver boas relações com a Rússia. E retribuímos totalmente.
Pergunta: A Comissão Europeia lançou um procedimento de défice excessivo contra a Itália pelo seu défice público excessivo. A respeito deste assunto, será que o Snr. debateu com o Primeiro Ministro Conte, durante a sua visita recente, a possível aquisição de títulos soberanos italianos, por parte da Rússia?
Vladimir Putin: Não mencionamos essa questão durante a visita do Snr. Conte a Moscovo. E, tanto quanto sei, também não recebemos nenhum pedido formal do lado italiano.
Pergunta: Muitos esperavam que a eleição de Vladimir Zelensky como Presidente da Ucrânia provocasse um descongelamento nas relações com Moscovo e, também, a resolução mais antiga do conflito em Donbass e o estabelecimento de um diálogo construtivo. Será que é possível?
Vladimir Putin: Sim, é possível se Zelensky começar a cumprir as suas promessas eleitorais, inclusive se ele entrar em contacto directo com os seus compatriotas, em Donbass, e deixar de rotulá-los como “separatistas”, se as autoridades ucranianas concretizarem os Acordos de Minsk, em vez de ignorá-los.
A ucranização forçada, a proibição de usar a língua russa, que é a língua nativa de milhões de cidadãos ucranianos, incluindo o ensino do russo nas universidades e nas escolas, a fúria de neonazismo, o conflito civil no sudeste do país, as tentativas do governo anterior para quebrar a frágil paz inter-religiosa - é apenas uma pequena parte da terrível “bagagem” que o novo Presidente terá de enfrentar. Portanto, vou repetir: os cidadãos ucranianos não querem declarações de V. Zelensky e da sua equipa - querem acção real e mudanças rápidas para melhor.
E, claro que as autoridades de Kiev devem compreender, finalmente, que o confronto entre a Rússia e a Ucrânia não é de interesse comum, mas sim, o desenvolvimento de uma cooperação pragmática baseada na confiança e no entendimento mútuo. E estamos preparados para isso.
Pergunta: O Snr. não tem adversários políticos verdadeiros; nas eleições do ano passado, recebeu quase 77% dos votos; praticamente não há oposição. Então, por que razão é que os seus planos de desenvolvimento arrancam com dificuldade ? Quais são os principais obstáculos?
Vladimir Putin: Não se trata do número de votos nas eleições, é sobre as realidades económicas que a Rússia tem de enfrentar, a saber: o declínio ou a flutuação de preços nos mercados globais dos nossos produtos tradicionais de exportação: petróleo, gás e metal. De facto, as restrições externas também produzem o seu efeito.
Mas seguimos uma política razoável e realista. Garantimos a estabilidade macroeconómica e evitamos o crescimento do desemprego. Além do mais, conseguimos concentrar recursos significativos em projectos nacionais de larga escala, que devem permitir um desenvolvimento inovador nos sectores fundamentais da economia e da esfera social e melhorar a vida das pessoas.
Quanto à concretização dos planos, na verdade, eles nem sempre são realizados tão rápido quanto queremos. Existem obstáculos imprevistos, dificuldades e falhas. Mas é um problema comum a todos os países. É compreensível - hoje todos nós, incluindo a Rússia, enfrentamos desafios demasiado ambiciosos. Eles dizem respeito não apenas à esfera económica, mas também a outras esferas. A ideia principal é que as próprias pessoas devem mudar em muitos aspectos, reconhecer a necessidade de mudança e do seu papel nesses processos e envolver-se no trabalho conjunto. Isso não acontece. Repito, todos devem perceber que o mundo está a mudar drasticamente. As tecnologias estão a desenvolver-se a um ritmo crescente. É, por esse motivo, que os nossos planos estão estabelecidos visando o futuro. Criamos condições para perceber os talentos e as capacidades de cada pessoa, particularmente, dos jovens. Ao observar os múltiplos programas que são procurados nesta área, vejo o projecto Rússia - Terra de Oportunidade como sendo muito importante; visa o crescimento profissional e pessoal da juventude e das pessoas de várias gerações. Destina-se a dar-lhes a oportunidade de provar as suas capacidades na administração pública, nos negócios e noutras áreas importantes. Resumindo, estou confiante de que, aproveitando a energia, a liberdade e a iniciativa dos nossos cidadãos, iremos certamente alcançar os objectivos que estabelecemos para nós próprios.
Pergunta: Pensa na Rússia depois de Putin, a partir de 2024? Pretende deixar a política ou, como muitos acreditam, vai ficar noutra esfera de acção?
Vladimir Putin: É cedo demais para dizer. Existem cinco anos de intenso trabalho pela frente. Dada a dinâmica rápida que observamos no mundo de hoje, é difícil fazer previsões. Acredite em mim, tenho muito que fazer agora, tal como me encontro, hoje.
Pergunta: Qual é a base das relações comerciais e económicas entre a Itália e a Rússia? Quais são os projectos que estão a ser estabelecidos ou discutidos agora?
Vladimir Putin: A Itália é um dos principais parceiros comerciais do nosso país no mundo (em 2018, foi o quinto depois da China, Alemanha, Holanda e Bielorrússia). Cerca de 500 entidades empresariais italianas estão presentes na Rússia. E apesar da participação da Itália nas sanções anti Rússia e as nossas medidas de retaliação, que discutimos anteriormente, as nossas relações comerciais e económicas bilaterais desenvolvem-se com bastante sucesso.
Em 2018, o nosso comércio mútuo aumentou 12,7%, chegando a 26,9 biliões de dólares. O investimento directo acumulado da Itália, alcançou 4,7 biliões de dólares até ao início deste ano, enquanto o investimento da Rússia em Itália, também é significativo - 2,7 biliões de dólares.
Vários projectos vultuosos de investimento já foram concretizados na Rússia e em Itália pelas empresas dos dois países. Os mais importantes incluem 4 centrais elétricas operadas pela Enel nas regiões de Tver e Sverdlovsk e no território de Stavropol; 2 ‘joint ventures' com o fabricante de pneus Pirelli em Voronezh e Kirov; uma usina em Chelyabinsk produzindo bombas para a indústria do petróleo com a participação de Termomeccanica S.p.A. A propósito, em Chelyabinsk existem mais 5 empresas russo-italianas, incluindo produção metalúrgica, fabricação de equipamentos de energia e engenharia criogénica. No ano passado, uma fábrica de motores elétricos de alta tensão, juntamente com a empresa italiana Nidec, iniciou o seu trabalho na região. Gigantes como a ENI, Maire TECNIMONT e IVECO investem activamente na economia russa.
Como exemplos de investimentos em larga escala da Rússia em Itália, mencionaria as instalações e postos de gasolina da refinaria de petróleo LUKOIL, e uma das maiores refinarias de óxido de alumínio da Europa, pertencentes à RUSAL e localizada na ilha da Sardenha.
Vários projectos importantes de investimento na Rússia com a participação italiana estão agora a ser desenvolvidos. Incluem os projectos de energia eólica da Enel, a construção de uma fábrica de produtos químicos na região de Samara e uma refinaria de gás na região de Amur, com a participação da Maire TECNIMONT bem como a nova fábrica de macarrão da Barilla. Também mencionarei um grande projecto italo-russo fora dos nossos países - no Egipto. Estou a referir o campo de gás de Zohr, desenvolvido pela ENI e pela Rosneft.
Gostaria de agradecer aos nossos parceiros de negócios italianos pela sua posição de princípio a favor do aperfeiçoamento dos nossos laços comerciais. Valorizamos muito e esperamos que a cooperação económica ítalo-russa sirva ainda mais para benefício dos nossos países e dos nossos povos.

Fim da entrevista
***Nota da Tradutora – Pesquisei intensamente a fim de encontrar documentos que atestassem a afirmação tão importante do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, passo a transcrever:

'Deve ser mencionado aqui, mais um facto. Em Outubro passado, oferecemos aos EUA legitimar uma declaração conjunta sobre a inadmissibilidade de uma guerra nuclear e o reconhecimento das suas consequências devastadoras. Não houve resposta dos EUA'

Não encontrei nenhum documento taxativo, mas penso que este facto ocorreu durante o encontro com John Bolton, em 23 de Outubro de 2018, que passo a traduzir, mas que obviamente, dada a natureza dessa reunião, não foi totalmente transcrito. 
Se algum leitor me puder elucidar melhor sobre este assunto que, para mim, é de grande importância, peço o favor de me contactar através do meu email luisavasconcellos2012@gmail.com. M.obrigada.


Vladimir Putin recebeu no Kremlin, John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
23 de Outubro de 2018
18:30
 Kremlin, Moscovo
Assistant to the US President for National Security Affairs John Bolton.
John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
Participaram na reunião, do lado russo, o Assessor Presidencial, Yury Ushakov, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o Secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev.
Hoje, um pouco mais cedo, o Ministro da Defesa, Sergei Shoigu, reuniu-se com John Bolton. Em 22 de Outubro, Nikolai Patrushev e Sergei Lavrov também mantiveram conversações com o Assistente do Presidente dos EUA.
* * *
Iniciando as conversações com John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional.
President of Russia Vladimir Putin: 
Snr. Bolton, Colegas,
Temos muito prazer em vê-lo em Moscovo.
No início de nossa conversa, gostaria de recordar o nosso encontro com o Presidente dos Estados Unidos, em Helsínquia. De acordo como o meu ponto de vista, foi uma reunião e uma conversa útil e, por vezes, bastante difícil, que acabou por ser frutuosa. Esta é a minha opinião.

Por este motivo é que, para ser sinceros, às vezes ficamos perplexos ao ver os Estados Unidos tomar medidas em relação à Rússia, que não podemos chamar de amigáveis e que nunca foram provocadas por nós. Na verdade, nem sequer respondemos a essas medidas, se bem que essa abordagem continua.
Apesar dos vossos esforços, o comércio entre os nossos países - por mais estranho que possa parecer - continua a crescer, 16% no ano passado; este ano já cresceu 8%. É pequeno em números absolutos, muito pequeno, é claro, no entanto, essa é a tendência. A propósito, com um saldo positivo para os Estados Unidos. Os investimentos mútuos também estão a crescer, sendo os investimentos russos na economia dos EUA, duas vezes maiores do que os investimentos americanos na economia russa.
Indubitavelmente, será muito útil trocar opiniões sobre as questões da estabilidade estratégica, do desarmamento e dos conflitos regionais.
Temos conhecimento - e falamos muito - sobre a saída unilateral dos EUA, do Tratado de Mísseis Antibalísticos (Tratado ABM). Recentemente, ouvimos falar da intenção dos Estados Unidos em sair do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (Tratado INF). Sabemos sobre as dúvidas da Administração em relação ao prolongamento do Novo START e sobre a intenção de instalar alguns elementos do sistema de defesa antimísseis no Espaço.
Pelo que me lembro, há uma águia retratada no brasão dos EUA: ela segura 13 flechas numa garra e um ramo de oliveira na outra, como símbolo de política pacífica: um galho com 13 azeitonas. A minha pergunta é a seguinte: Será que a vossa águia já comeu todas as azeitonas e deixou apenas as flechas?
De um modo geral, gostaria muito de conversar consigo não apenas na qualidade Assistente do Presidente dos EUA, mas também como especialista em desarmamento e controlo de armas.
E, em primeiro lugar, claro que seria útil continuar um diálogo directo com o Presidente dos Estados Unidos, à margem dos acontecimentos internacionais que ocorrerão em breve, como o de Paris. Naturalmente, se os EUA estiverem interessados em tais contactos.
John Bolton, Assistente do Presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional: Muito obrigado, Senhor Presidente. É um prazer vê-lo novamente. Aprecio que tenha disponibilizado o seu tempo para estarmos juntos e para debatermos todos os assuntos agendados.
E para começar, como indicou, penso que o Presidente Trump espera vê-lo em Paris, à margem da celebração do 100º aniversário do Armistício. Porque, apesar das nossas diferenças, que existem por causa dos nossos interesses nacionais que são diferentes, ainda é importante trabalhar em áreas onde existe a possibilidade de cooperação mútua. 
E, nos últimos dois dias, mantive conversações com todos os seus Conselheiros seniores de segurança nacional e agradeço novamente a oportunidade de falar com o Snr. em nome do Presidente Trump. E, felizmente, terei algumas respostas para o Snr., mas não trouxe nenhuma azeitona.
Vladimir Putin: Concordo 100% consigo. 
(Risos.)
John Bolton: O ramo de oliveira é mantido na garra direita da águia, a demonstrar a sua prioridade.
Vladimir Putin: Se bem me lembro, há também uma inscrição: In Varietate Concordia, United in Diversity. (Lema da União Europeia) É por esse motivo que, apesar das diferentes abordagens, podemos e devemos procurar pontos de contacto.
John Bolton: Essa é a nossa intenção, embora o nosso lema seja “E pluribus unum”, “De muitos, um”, então talvez seja algo a esperar.

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Geography

EN -- Interview with Italian newspaper Corriere della Sera



 Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»
Ahead of the official visit to Italy, Vladimir Putin gave an interview to a leading Italian daily Corriere della Sera.
July 4, 2019
06:00

Question: Relations between Russia and Italy seem positive. Our government is among the few in Europe to be pushing for the revision of sanctions. Yet it is Italy that suffers the largest losses due to the ban on supplies of various consumer goods introduced by the Russian government as a countermeasure. Wouldn't it be a kind gesture on Russia's part to make the first step and start unilaterally lifting retaliatory sanctions?
President of Russia Vladimir Putin: Indeed, we enjoy special time-tested relations with Italy. There is a trusted dialogue with the Italian leadership. Continuous joint work is underway in the political, economic, scientific and humanitarian fields. We highly appreciate this asset of mutual trust and partnership.
Of course, we kept this in mind. And we had no desire to extend the restrictions to the economic relations with Italy. But the thing is, our response measures – in retaliation for the illegitimate sanctions imposed – were supposed to be non-discriminative, because otherwise we would face problems in the World Trade Organisation. I would like to note that the decisions to impose sanctions against Russia were taken by the European Commission and supported by all EU countries.
At the same time, I would like to stress that the mentioned response measures are of a local nature and do not hinder, by and large, the effective development of our investment and industrial cooperation. None of the Italian companies have thus withdrawn from the Russian market. At the recent Economic Forum in Saint-Petersburg, a number of promising bilateral contracts in the industrial, oil and gas and petrochemical sectors were signed.
As for the removal of sanctions, I have spoken on this subject time and time again. The one behind the sanctions is the one to make the first step; I am talking about the European Union. After that, Russia will be able to abolish its countermeasures. It is our hope that common sense will eventually prevail and Europe will prioritise its own interests rather than follow instructions given by somebody else. Then we will be able to develop mutually beneficial, multi-faceted and forward-looking cooperation.
Question: In today's world, which seems in certain aspects even more unstable than that of the Cold War era, Russia-US disarmament arrangements are in crisis. We are standing on the verge of a new arms race with its unforeseeable consequences, in spite of what looked like a good start in your relations with Mr Trump. To what extent do you think your country is responsible for such development?
Vladimir Putin: To no extent! The breakdown of the system of international security began with the US unilateral withdrawal from the Anti-Ballistic Missile Treaty. This instrument was the cornerstone of the entire arms control architecture.
Just compare the sum Russia spends on defence – about $48 billion – and the US military budget, which is more than $700 billion. Is there any sign of an actual arms race here? We are not willing to get dragged into it. But at the same time we must ensure our security. That is why, we had to develop advanced weapons and equipment – in response to the increasing military expenditure and the clearly destructive actions of the United States.
The situation with the INF Treaty is a glaring example here. We approached the US more than once, suggesting that we sort out issues pertaining to this document, yet we faced the refusal. As a result, the Americans are destroying yet another important treaty regime.
Prospects of our cooperation in the field of strategic arms reduction remain unclear. The START Treaty will expire in early 2021. At the moment, the US does not seem ready to discuss its extension or the possibility of elaborating a new full-scale agreement.
One more fact should be mentioned here. Last October, we offered the US to adopt a joint statement on the inadmissibility of a nuclear war and the recognition of its devastating consequences. There has been no response from the US.
Recently, the administration in Washington has begun to reflect on the possibility of restarting our bilateral dialogue on a broad strategic agenda. I believe that reaching concrete agreements in the field of ensuring arms control would help improve international stability. Russia has political will to do this; now it is for the US to make a decision. I reiterated this position at our meeting with President Trump on the sidelines of the G20 Summit in Japan not long ago.

IT -- L’INTERVISTA Putin: «Pronti a dialogare con gli Usa. Contatti costanti con la Lega di Salvini»




Il presidente russo sulle relazioni con l’Occidente: «Apprezziamo l’impegno dell’Italia per rafforzare la reciproca comprensione nell’area euro-atlantica. Silvio Berlusconi è un politico di statura mondiale
Putin: «Ready to talk to the US. In constant contact with Salvini's League»
Vladimir Putin è pronto a resettare le relazioni della Russia con l’America di Donald Trump per riavviare il dialogo bilaterale su un’ampia agenda strategica. Di questo tema il presidente della Federazione russa ha parlato con il capo della Casa Bianca nel corso del loro recente incontro in margine al vertice del G20 in Giappone. Putin, oggi in Italia per una visita di Stato, ha accettato di rispondere per iscritto alle domande del Corriere. 

Il leader del Cremlino vorrebbe abolire le contro-sanzioni che colpiscono pesantemente l’export italiano, ma ricorda come queste siano state una risposa a decisioni prese «da tutti i Paesi della Ue», compresa, naturalmente, l’Italia. Si aspetta che il nuovo presidente ucraino Zelensky faccia passi concreti per attuare gli accordi già presi e avviare un effettivo processo di pace.
Nega interferenze nelle elezioni europee e apprezza le posizioni di Matteo Salvini sulla Russia. Per quanto riguarda i rapporti con gli Stati stranieri, fa sempre riferimento ai leader regolarmente eletti, «a prescindere dalla loro appartenenza politica». Il presidente russo conferma la sua grande stima per Berlusconi, che considera «un politico di statura mondiale».

L’INTERVISTA
Domanda: I rapporti tra Russia e Italia sembrano positivi. Il nostro governo è tra i pochi in Europa a spingere per una revisione delle sanzioni. Eppure noi siamo quelli che patiscono maggiormente il blocco a vari beni di consumo che il suo governo ha deciso come contromisura. Non sarebbe un gesto verso una possibile distensione se la Russia, unilateralmente, iniziasse ad abolire le contro-sanzioni?

Vladimir Putin:
«Con l’Italia abbiamo veramente rapporti particolari, collaudati dal tempo. È stato messo a punto un dialogo basato sulla fiducia con la sua dirigenza. Viene costantemente condotto un lavoro congiunto nella sfera politica, economica, scientifica ed umanistica. Noi apprezziamo molto questo capitale di reciproca fiducia e di partenariato. 


Certamente abbiamo tenuto conto di questo fatto. E non avevamo il desiderio di estendere le limitazioni ai legami economici con l’Italia. Ma il punto è che nel prendere le misure di risposta — contro le sanzioni illegittime introdotte — non potevamo agire in modo selettivo perché altrimenti ci saremmo imbattuti in problemi nell’ambito dell’Organizzazione mondiale del commercio. Aggiungo che le decisioni sull’introduzione delle sanzioni contro la Russia sono state adottate dalla Commissione europea e per esse hanno votato tutti i Paesi dell’Ue. 

Sottolineo, tuttavia, che le misure russe assumono un carattere parziale e non ci impediscono nel complesso di sviluppare con successo lo scambio di investimenti e una cooperazione produttiva. Così, nessuna azienda italiana se n’è andata dal mercato russo. Al recente Forum economico di San Pietroburgo sono stati siglati contratti bilaterali promettenti nei settori industriale, del petrolio, del gas e nel petrolchimico. 

Per quanto riguarda, invece, l’abolizione delle sanzioni, il primo passo lo deve fare chi le ha promosse, ossia l’Unione Europea. Allora la Russia potrà cancellare le misure di risposta adottate. Contiamo che alla fine il buon senso prevarrà, che l’Europa si lascerà guidare anzitutto dai propri interessi e non da suggerimenti altrui. E noi potremo sviluppare per il reciproco beneficio una collaborazione a tutto campo mirata al futuro».

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